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Die Vertex-Runde [3º Episódio]

Posted: 23 de Fevereiro de 2010 by dottish in Die Vertex-Runde

O rapaz, meio atrapalhado, lá desperta do seu estado de transe e acaba por balbuciar algumas palavras:

– Errr…Estou…Estou bem…sim…Ahm…Dormiste bem?

– Dentro do possível…Mas tu não me acordaste para podermos trocar de turnos. Já é de manhã e tudo…

– Não tinha sono… Depois do susto de ontem não conseguia pregar olho.

A rapariga olha preocupada para o braço ferido dele que já tinha empapado completamente o pedaço de tecido de sangue, ao que de seguida lhe dá um enorme raspanete:

– Para quê armares-te em forte?

Bernard olha para ela intrigado com aquele comentário.

– Quê…?

Mas ela continua logo de seguida o seu discurso com uma expressão mais dura nas suas faces que outrora pareciam demasiado delicadas para tal tipo de expressões:

– Tu é que arrombas-te aquela porta, lutas-te contra o lobo e agora aguentas-te uma noite inteira sem descansar mesmo estando no estado que estás…O que é que estás a tentar provar? Que és todo-poderoso? Que não sei tomar conta de mim? Ou simplesmente por uma questão de provar a tua virilidade? Sinceramente acho isso ridículo!

Bernard fica ainda mais confuso e acaba por se enfurecer e por tentar ripostar:

– Mas que raio de conversa é essa? Acho impressionante! Um gajo é atacado por um animal selvagem, deixa-te dormir descansada pois já não te aguentavas em pé e ainda levo um sermão da treta? Qual é a tua?

– Achas que por acaso tenho ar de menina indefesa? Se fizeste tudo isso para parecer bem, como se fosse uma obrigação tua, então dispenso esse tipo de caridade! Estou farta que me tratem como se não conseguisse fazer nada sozinha!

– Isso já não é comigo! Não descarregues essas tuas frustrações em mim! E se te ajudei foi porque assim o quis! Não esperava nada mais para além de um pouco de gratidão. Mas até isso parece que não vou receber da tua parte de boa vontade.

Com isto, Stephane cala-se e olha para as suas sapatilhas vermelhas já meio gastas, como gesto de vergonha.

O ambiente estava obviamente mais pesado entre eles e o silêncio instalou-se. Passados poucos minutos Stephane levanta-se de relance e olha ao seu redor durante uns breves instantes, analisando atentamente as árvores que os rodeavam. É então que ela se agarra à árvore mais robusta, alta e com mais ramificações fortes e começa a trepá-la.

Bernard que já a observava discretamente acaba por quebrar o silêncio:

– O que é que estás a fazer?

– Vou apanhar bananas para o pequeno-almoço.

– Pois…Boa sorte com isso.

– Tu não percebes uma ironia quando a ouves, pois não?

– Tens cá uma graça tu…Afinal o que vais fazer ou custa-te assim falar na boa com outra pessoa?

– Bem…como podes ver estou a trepar esta árvore.

– Certo…com que objectivo?

– Quero chegar até ao topo para ver se vejo alguma aldeia ou uma estrada por perto.

– Vê lá que ainda te magoas! – Grita ele.

Então ela responde secamente:

– Deve ser tanto ao menos perigoso como fazer wrestling com um lobo raivoso.

– Ok! Faz como quiseres! – Então ele vira-lhe as costas e senta-se encostado a outra árvore e remexe nos sacos verdes à procura da algo para matar a fome enquanto Stephane continua a trepar com um enorme esforço e habilidade a grandiosa árvore seleccionada.

Por: Maria Ana Vieira Vaz

Die Vertex-Runde [2º episódio]

Posted: 15 de Fevereiro de 2010 by dottish in Die Vertex-Runde
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As horas passavam, a escuridão permanecia e a floresta parecia não ter principio nem fim.
Stephane, já cambaleava e acabou por assentar o braço direito e a cabeça contra um um robusto pinheiro, rendida ao cansaço, misturado com o desespero de estar perdida numa floresta escura, húmida e sombria sem saber como lá foi parar nem porquê. Ela fala um pouco ofegante a Bernarde que continuava a caminhar sem se ter dado conta que a tinha deixado para trás:

– Podemos parar? Não faz sentido andarmos agora a vaguear pela escuridão! Não conseguimos ver decentemente por onde andamos. Acho melhor descansarmos um pouco e esperar pelo amanhecer.

Bernarde vira-se para trás com uma expressão de surpresa, que pouco depois foi substituída por uma expressão séria e hesitante:
– Não sei não… Sabe-se lá o que poderá nos acontecer se baixarmos a guarda…

– O máximo que nos poderia acontecer agora seria tropeçarmos nalguma armadilha para ursos que não nos é visível no meio do escuro. Pela manhã veremos melhor o que nos rodeia e o risco de nos magoarmos a sério ou de nos encurralarmos ainda mais dentro da floresta é menor.

– Hum…Ficaria mais descansado se enquanto um de nós descansa o outro pudesse ficar a vigiar.

– Nem mais! Qual de nós começa a dormir?

– Podes ser tu…Eu sinceramente não consigo dormir por enquanto…

– Percebo… Bom, quando te sentires cansado, acorda-me! – Disse ela com um sorriso amoroso e que demonstrava gratidão pela iniciativa do rapaz.

– De acordo. – Mas ele não retribui nenhum sorriso, continua meio nervoso a olhar para todos os lados e nem repara na rapariga.

A jovem senta-se encostada ao mesmo pinheiro e deita a sua cabeça adormecida apoiada nos seus braços envolvidos sobre os joelhos. Enquanto ela repousava, Bernarde não conseguia parar quieto. Vagueava em círculos de braços cruzados a olhar compulsivamente para todos os lados ao mínimo som que o vento fazia por entre os ramos frágeis, ou até mesmo o som que ele próprio fazia ao pisar pequenos galhos ou folhas secas.
No meio de tanto desespero, várias suposições passavam pela sua cabeça.
«Como é que ela consegue dormir tão pacificamente numa situação destas? Será ela desprovida de qualquer tipo de bom senso? Acordo sabe se lá Deus onde, com uma rapariga que desconheço. Será que posso mesmo confiar nela?Ela parece demasiado relaxada para alguém que foi “sequestrada” e deixada ao acaso no meio de nenhures.Isto já parece uma partida de muito mau gosto…»

Com este último pensamento, ele pára abruptamente e ergue a sua cara com uma expressão intrigada, como se tivesse chegado a uma conclusão objectiva.

«Alto lá! Será que tudo isto é mesmo apenas uma partida? Talvez demasiado bem elaborado. Mas sei lá…Se tivéssemos sido mesmo sequestrados, não estaríamos de perfeita saúde e com sacos com comida e água. Isto já parece ser um daqueles “Reality Shows” manhosos feitos para testar as pessoas. E esta rapariga deve fazer parte do esquema…É possível…Só pode…Sim…É!»

Bernard vira-se em direcção a Stephane que está a dois metros de distância ainda a dormir.
A escuridão começara a desvanecer e os primeiros raios de Sol apareciam timidamente por entre os ramos mais baixos, no meio de toda aquela flora selvagem. E foi aí, que Bernarde conseguiu ver melhor quem era a sua companheira.
Os raios iluminavam suavemente as suas feições suaves brancas e sardentas, mas nada poderia desviar os seus olhos dos seus longos e ondulados cabelos arruivados que lhe desciam até a meio das costas e tinha meia dúzia de finas trancinhas por entre as madeixas. Os tons do seu cabelo faziam lembrar uma tarde de Outono. Era uma gama de cores que iam desde os vermelhos acastanhados, passando pelos laranjas até aos dourados.
Ao presenciar esta linda figura hipnotizante, a sua mente finalmente esvaziou qualquer tipo de pensamentos que o acumulavam desde que despertara.

Por entre um par de fartas pestanas, vê-se uma íris brilhante de um castanho esverdeado. Stephane esfrega os seus olhos, e com um olho entre-aberto, encadeado pela luz, olha para Bernarde que continua imóvel e sem desviar a atenção dela.
Esta, por sua vez, estranha a situação e pergunta-lhe:

– Já é de manhã…Não dormiste nada? Estás a sentir-te bem? Estás com um ar meio estranho…

[Continua…]

Por: Maria Ana Vieira Vaz