Uniquissidade – Parte II

Posted: 1 de Abril de 2009 by Dê Cê ÉL in excertos., Opiniões

“Por sermos biliões neste mundo, o que quer que nós tenhamos pensado, é provável que alguém já o tenha pensado também, e se tivermos sido os primeiros, nos segundos seguintes alguém também o terá pensado.

Quem viaja, rapidamente repara como, embora diferentes, no fundo somos todos muito incrivelmente parecidos, no entanto é muito normal sentir-mo-nos únicos e especiais. Este sentimento ficou “hard-wired” no nosso cérebro, e continua lá depois de muitos anos de evolução.

Sentir-se único trás vantagens à sobrevivência. Ao sentir-mo-nos especiais, vamos dar mais valor a nós, que a uma outra pessoa desconhecida, e vamos ter tendência a fazer mais por nós que pelos outros (porque somos especiais). Há alguns milhões de anos atrás, isto pode ter ajudado muitos individuos, em prejuízo de outros que não se tinham em tanta conta.

Esta sentimento de ser único, não é mais que um dos muitos mecanismos que ficaram do nosso passado evolutivo. E como qualquer destes mecanismos, a partir do momento em que temos consciência deles, em vez de sermos “controlados” por eles, podemos decidir se queremos segui-los ou não.” – Por Terebi-kun

 

Como é sabido, este blogue tem uma enorme interacção com o público e com os seus leitores e comentadores. Com as suas citicas visamos evoluir mais e melhor ao longo dos dias, sendo que aproveitamos as mais constructivas para continuá-las num outro post mais elaborado.

Há umas semanas atrás, coloquei aqui um post intitulado “Uniquissidade”, em que comentava, de um prisma unica e exclusivamente pessoal a minha visão da palavra “Unico” e tudo o que a mesma engloba. Tivemos dois comentários nesse artigo, em que um deles fora o acima indicado, pelo que lhe respondo, visto toda a equipa ter gostado das suas argumentações.

Ora segundo o leitor, tudo em que pensamos já foi previamente pensado ou segundos depois também. Pois bem meu caro, tenho que discordar em parte. É um facto, como é incrivel o espanto com que fico quando penso em coisas qeu creio serem únicas, até ao momento em que descubro que já foram criadas por outrem. Num destes dias, estava a ouvir uma sonante música do meu guitarrista de eleição, Carlos Santana, de seu nome “Jingo” e comecei a magicar fazer uma nova versão, de cariz eléctónico. Passadas semanas nos meus downloads musicais deparo-me, por mero acaso do destino que já um grande Deejay já o havia feito, o que me desmoralizou um pouco, embora a minha criatividade me levasse para ritmos totalmente diferentes e mais elaborados que essa faixa que ouvi remisturada. Então agora deixo-te uma questão, que rétorica ou não é a seguinte: Por eu ter pensado em criar outra versão desta música, embora ela já tenha sido editada por outras pessoas, mas sendo a minha versão diferente das demais, isso não fa´ra dela unica?

O que quero aqui dizer é que a uniquissidade das coisas não está na ideia primordial ser original mas sim as suas finalizações. Uma coisa não é unica se for pensada somente por uma individualidade, mas sim se for criada primeiro pela mesma. O Homem que criou a roda foi unico na história de toda a humanidade, pois embora alguém tenha imaginado a mesma ideia, só o real criador ficou conhecido pela sua autenticidade, um sinónimo do que é ou faz tudo o que é único.

Agora passando para o globo social, é óbvio que só chamamos de “especial” a alguém quando essa pessoa nos significa algo de bom, algo de produtivo, não querendo dizer que esse indivíduo é unico no sentido de só pensar coisas que ninguém pensa.

Acredito que eu agora estou neste preciso instante a debater ideias sobre este tema e que ao mesmo tempo alguém o faz, mas de outra forma, oral ou até na mesma, o que não deixa de dar o mérito e valor “único” ao que faço.

Quando se corre uma maratona, só a pessoa que corta a mete se torna “unica” entre todas as restantes, pois há um elemento ou característica que está só presente naquela pessoa e que diferencia dos presentes nas outras. Embora se efectuem muitas corridas sempre com a mesma meta, o vencedor é sempre “unicamente” um, em todas elas.

Assim termino, por agora. Querendo novamente mais criticas enriquecedoras, pos só assim valerá a pena uma patrte “III”.

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Comentários
  1. Slinkman diz:

    Concordo integralmente com o que foi dito por Terebi-kun. Aliás, tenho estudado e defendido estas ideias.

    A evolução dos seres vivos, como o bom velho Darwin nos ensinou, depende das pequenas diferenças entre cada indivíduo e da forma como o ambiente selecciona essas diferenças, ou seja, da forma como uma característica de um indivíduo o torna mais ou menos adaptado ao ambiente em que vive. Um ser com características melhor adaptadas ao ambiente, consegue sobreviver mais facilmente, alimentar-se mais facilmente, arranjar parceiros reprodutores mais facilmente. Como tal, vai ter mais probabilidades de passar esta característica para a geração seguinte. Essa característica vai ter tendência para aumentar na população e favorecer os indivíduos que a têm enquanto se mantiver o ambiente para a qual está adaptada.

    O que Terebi-kun disse vai ainda mais longe, e de forma deliciosa. É um pouco o que Richard Dawkins nos revelou, de forma surpreendente: que os nossos genes são egoístas. Que o motor da selecção está no facto de que nos favorecemos individualmente em relação a qualquer outro indivíduo, pois os benefícios do egoísmo são, na esmagadora maioria dos casos, muito superiores ao lucro. Mais: de forma espantosamente lúcida, Terebi-kun encontrou na auto-estima, no facto de nos termos em conta, mais uma dessas características de selecção. Aqui está já patente todo o conjunto de teorias que defendem que todo o nosso comportamento tem uma parte evolutiva muito mais importante do que aquela que nos andaram a fazer crer.

    Para rematar, esta ideia de consciência de como somos, de aceitar o nosso determinismo, é uma ideia muito grata para mim, pois por intermédio dessa aceitação, podemos tentar moldar os nossos comportamentos, podemos aplicar-lhes a ideia de livre arbítrio, da qual decidimos, dentro de certos limites, se queremos seguir estes comportamentos ou não.

    Eu acredito que este seja o caminho para nos sentirmos melhor. É brutal a forma como este pensamento desenvolve em nós a tolerância que necessitamos para aceitar o outro e que tantas vezes nos escapa.

    Pelo contrário, defendo que uma das principais fontes de atraso de todo o estudo do comportamento humano vem, exactamente, da ciência que se diz “do comportamento”, ou seja, da Psicologia. Nomeadamente do paradigma Cognitivista da Psicologia, que valoriza a aprendizagem como fulcral ao comportamento, enterrando por completo ideias extremamente válidas como as de Freud. Este, afinal, estava certo em muitas coisas. O determinismo das pulsões, a maneira como o impulso sexual está na génese da maior parte dos comportamentos não mais é do que dar razão à Biologia e ao mecanismo da evolução. E mais: Freud foi muito mais longe do que todo o psicólogo moderno, ao aceitar com naturalidade que havia todo um mundo misterioso e inexplicável em cada humano, e o que estava ao alcance seria apenas a ponta do iceberg. Freud foi e é genial, e é injusto ouvir, como ouvi a mais do que um psicólogo cognitivista, dizer em jeito de repulsa “eu nem conheço esse senhor!”.

    Bem, termino com um grande abraço a todos os que tornaram possível que se falasse de assuntos tão importantes neste blog!

  2. Slinkman diz:

    Errata: onde se lê “os benefícios do egoísmo são, na esmagadora maioria dos casos, muito superiores ao lucro.” deve-se ler “os benefícios do egoísmo são, na esmagadora maioria dos casos, muito superiores aos custos.”

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