Segundo o dicionário, Solidão significa:
Sentimento no qual uma pessoa sente uma profunda sensação de vazio e isolamento. A solidão é mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma actividade com outra pessoa. Alguém que se sente solitário pode sentir dificuldades em estabelecer contanto com outras pessoas.
Mas será que é só isto?
Será que não podemos sentir só estando rodeados de amigos que gostamos?
Solidão de não ter ninguém com quem desabafar. Alguém que não te julgue e que saiba o que sentes com cada palavra que dizes. Alguém que no final de desabafares e de precisares de uma palavra amiga não te diz “o que tenho a ver com isso” ou “ o tempo cura tudo”. Mas não é isso que precisas? Precisas de alguém que te compreenda, de alguém que até pode não te dizer nada mas que te abre os braços para te dar um abraço com carinho para te reconfortar e para que possas chorar se for preciso.
Por isso podes estar rodeado por centenas de pessoas e sentires solidão por não teres esse amigo especial ao teu lado.
Também se pode ter a sensação de solidão quando sentimos falta da outra metade do nosso coração. Dessa pessoa especial a que chamamos “amor”. Podemos estar no trabalho ou a rir com amigos mas sentimos que falta algo e a dor no nosso peito não pára. E ainda piora quando não estamos com a cabeça ocupada.
Também podemos ter, o que se pode chamar de, solidão familiar. O que é isso? È quando não temos uma família normal que nos apoia e nos ama, mas sim o contrário. E por muito que os nosso amigos nos apoiem e estejam sempre lá essa dor ou sensação não passa.
Mas nem sempre solidão é má. Muitas vezes a nossa sociedade pode rotular de pessoas solitárias aqueles que por vezes gostam de estar sozinhos a um canto a “pensar na vida”. A pensar nos seus problemas, nas suas alegrias ou simplesmente a desfrua de um momento a sós consigo próprio. E penso que se muita gente fizesse isso pelo menos uma vez por mês seriam mais felizes. Irem para um lugar que lhes agrade e simplesmente desfrutarem do sítio. Libertarem-se de tudo ou arranjarem soluções para os seus problemas. Ler um bom livro, ouvir uma música, escrever o que lhe apetecer. Simplesmente ser simples e nós próprios. Numa sociedade onde temos que estar constantemente a pensar e agir como os outros querem, porque não tirar um tempo para ser “solitário” e fazer o que nós queremos?
A solidão também pode afectar os idosos. Quando a família os deixa num lar ou então o seu parceiro de uma vida falece, a solidão pode afecta-los.
Quando a família os coloca num lar, a solidão pode se manifestar por causa de os idosos ficarem lá “abandonados”, isto é, eles serem colocados lá e nunca mais os irem visitar ou então não terem tempo para irem ao lar ver os seu entes queridos. A maior parte desses idosos sente falta da sua antiga casa e da sua rotina habitual como por exemplo estar á janela a conversar com os vizinhos ou dar de comer ao gato.
Mas aqui se abre outra questão. Quando é que se deve colocar um idoso num lar? Mas isso é melhor deixar para outro post pois é um tema longo e que pode gerar varias opiniões.
Quanto á parte do falecimento do parceiro de uma vida, isso é uma questão óbvia. Ao perder aquela pessoa com quem conviveram vários anos seguidos, vão se sentir sós e com falta de companhia. Muitos conseguem superar isso, dependendo da idade, indo a convívios, passeios, bailes, etc.
A solidão não escolhe idade, sexo, estrato social, nem raça. A solidão afecta a todos especialmente na era que corre onde existe muito stress e tudo é feito electronicamente e á distancia. Onde as relações inter-pessoais já não existem e onde se anda sempre a correr.
Deparo-me claustrofóbico, fechado em algo que nem sei. Abro, não era um caixão, nem tão pouco um sarcófago. Era algo semelhante a uma caixa gigante de fósforos, verde, ríspida e rugosa, com ar de quem nunca haveria reparado em gigante artefacto. Esta caixa gigante, logo que atrapalhadamente saio dela, olho para trás e já nada lá estava, como que um mago com pozinhos de perlimpimpim a tivesse roubado.
– Um, dois três…
Caminho, ando, passeio. O solo que piso parece demasiado suave e limpo, reparo por baixo de mim e eis que me surpreendo de novo. Nada está, apenas vejo pequenos pixéis bem longe ao fundo onde a minha visão alcança. Pequenas formigas e pontinhos, uns mexem-se, outros não. Talvez casas e pessoas. Quem sabe ratazanas e ratoeiras. Não há uma única nuvem em volta de mim, nem o Sol, nem sequer um único ronronar de vento. Estou ali, ali sou. Desta vez olho para cima, instinto ou não, uma porta entreaberta de marfim rodeado por tulipas.
- Um, dois, três…
Levanto bem o meu braço alto para tentar alcançá-la, mas em vão. A porta afasta-se, abrindo-se e deixando que de lá saísse uma borboleta. Fecha-se novamente, e a borboleta encosta-se carinhosamente ao meu ombro destro. Esta criatura não era de todo terrestre. Uma das asas de um azul-bebé que arregalava os meus prazeres e a outra, transparente, como que feita de vidro sem nunca o ser. Tento mimar-lhe com o meu dedo indicador. Ela graciosa depois ergue voo e eu, sigo-a.
- Um, dois, três…
Cada milímetro que ela avançava, mais eu ficava hipnotizado com o aroma a que ela suava. Um misto a flor Dama da noite com velas acesas de baunilha. Após uma longa mas enamorada perseguição, ela pára. Permanece impávida em frente a mim. Por detrás dos seus vestígios, surge um grande remoinho púrpura. Ela desvanece-se e deixo de a poder fitar, somente remanescem cinzas no seu lugar a caírem em direcção aos tais pixéis. Fico imóvel, petrificado. O remoinho entra dentro de todos os meus poros e deixo de sentir o que é o meu corpo.
- Um, dois, três…
Agora já não consigo pisar o tal solo invisível. Este preciso instante, dizível não será de classificar. Não plano sobre o céu, porque ele não está lá. Apenas me sinto sentado sobre mim mesmo. Sinto a minha mente e mais nada. Não há corpo, não há oxigénios nem monóxidos de carbono. Finalmente aparece uma nuvem, mas parece-me demasiado clara para algo como ela. Agarro uma porção sua, cheira-me tão incomensuravelmente bem, provo. É algodão doce que sabe a outras irrealidades. A nuvem contorce-se e dá lugar à mesma porta que descrevi há curtos tempos. A porta abre-se e antes de entrar, espreito no lado interno um acanhado espelho rechonchudo, com cumes entortados. O que lá está transposto é um polígono brilhante, incolor e cristalino. Como mercúrio, sem forma sólida, física ou gasosa.
- Um, dois três…
Abro os olhos. Já há muito que ouvia o mesmo inicio de musica do meu despertador. Olho ao cimo – Já existem paredes. Abro a janela do meu quarto. Cinzas de cigarro no chão lá de fora. O Sol ainda nem sequer nasceu e uma outra borboleta ziguezagueia por cima de uma flor do jardim, formando com o seu percurso passageiro uma letra – A letra Dê.
Eu aqui.
Aqui sentado nesta pedra.
Nesta pedra fria e cinzenta.
Cinzenta como a minha vida.
Cinzenta como a minha vida que não tem grande futuro.
Futuro frio e sem grandes perspectivas.
Sem grandes perspectivas porque estou sem ti.
Sim, sem ti. Tu por quem o meu coração bate.
Tu por quem eu sofro.
Tu por onde todos os caminhos do meu pensamento vão sempre dar.
Tu que és fria para mim como esta pedra onde me sento.
Onde me sento a pensar em ti.
No que estarás a fazer.
Com quem estarás.
Se pensarás em mim.
E será que tu sabes que eu existo?
Passas por mim como se eu fosse invisível.
Como se eu não existisse.
Mas mesmo assim o meu coração bate por ti.
Bate quando te vejo.
Bate quando oiço a tua voz.
Bate quando oiço o teu nome.
Bate quando o meu pensamento chega a ti.
Mas um dia de, tanto ele bater, ele irá parar.
Parar de bater quando te vejo.
Parar de bater quando oiço a tua voz.
Parar de bater quando oiço o teu nome.
Um dia tu serás tão insignificante para mim como eu sou para ti.
E nesse dia mesmo que repares em mim já não valerá a pena pois o meu coração já terá parado.
Parado só para ti, pois ele continuará a bater por outra pessoa que o mereça.
Tu nunca mereceste o meu coração.
Eu aqui.
Aqui sentado nesta pedra.
Nesta pedra fria e cinzenta.
Irei te esquecer e seguir com a minha vida.
Autoria: Nambp
Sinto aquela falta,
A falta da ansiedade
A ansiedade de te ver,
A ansiedade de te ter.
Há um pensamento ,
Há um arrepio…
Melhor dizendo
Há um calafrio.
A lágrima cai,
Ou pelo menos quer cair
Ao pensar no que se passou
O que se poderia ter passado…
Mas era óbvio
Mais tarde ou mais cedo
O “nós” acabaria.
Eu não quis que fosse assim
Mas assim o fiz
Por isso, assim o mereço!
Agora sinto a falta do teu toque,
Do teu cheiro,
Das tuas palavras,
Do teu sorriso…
Mas o tempo não volta atrás
E nem há tempo para recuperar o passado…
Há tempo para o (re)viver
Pois o passado é um conjunto de recordações.
Mas se não há tempo para recuperar o passado,
Porque haverá tempo para o (re)lembrar?
Quero seguir a vida em frente
Vou seguir a vida em frente
Mas torna-se complicado querer viver um futuro
Sem que te traga do passado para o presente.
“I wanna wake up where you are”
E esta é sem dúvida a pior das verdades!
Quero acordar onde ‘tás,
Quero acordar ao teu lado,
Quero morar ao teu lado,
Quero viver ao teu lado,
Quero ficar ao teu lado…(!)
Assinado: Barona
Roads, Uma curta-metragem de uma simplicidade enorme que por parecer não querer dizer nada, muito diz.
Produzido por uma amiga do coração, Sara Ceriz e Jared Fantasia, estes utilizaram este video para um concurso de curtas-metragens na escola secundária que frequentavam, obtendo o primeiro lugar. A banda sonora fala por si, com a melódica música dos Portishead (Roads). Porque nunca é demais respirar novas maresias de arte fresca, tivemos a liberdade de colocar isto visível a todos, esperemos que gostem e se possível, critiquem.
Postado por Diogo CL
