Devo começar por dizer que não me considero um grande conhecedor da Coun-
try Music. Apesar dessa falta de grande conhecimento neste tipo de música, tenho
algumas opiniõs gerais. A dita Country Music transporta-nos, quase instantaneamente
para o vasto countryside dos States. E juntamente com isso leva-nos para
as origens e para as raízes da música folk em geral, para as tradições com séculos
de existência, originárias ainda (e particularizando agora ao caso americano) dos
tempos em que os agora Estados Unidos não eram ainda um país. Foi um pouco
disto que podemos ver repetido nos mais diversos locais do mundo: este buscar de
inuências nas tradições rurais de todos os que por lá passaram.
É este “Back to the Roots”, esta ida às raízes que me impressiona, por vezes
mais do que a própria música, que não é, como já disse, e está longe de ser o meu
estilo preferido, pelo menos para audições mais profundas e prolongadas.
Mas obviamente não digo que não a alguns clássicos, e falando agora mais
concretamente, temos talvez como maior nome o falecido Johnny Cash, e os seus
clássicos, como o “I Walk the Line” e muitos outros. Outro exemplo é uma banda
que descobri à custa do Pulp Fiction do grande Quentin Tarantino, e que se chama
“The Statler Brothers”. No lme está uma música bastante engraçada de nome
“Flowers on the Wall”. Outro nome clássico é o Willie Nelson, e mais recentemente
temos, por exemplo, o Garth Brooks. E claro, temos o grande Robert Zimmerman,
mais conhecido por Bob Dylan que muito enfureceu os puristas do Country
quando resolveu começar a tornar a coisa algo mais eléctrica com os seus clássicos
intemporais, “Highway 61 Revisited” e o posterior “Blonde on Blonde”, que são os
meus preferidos da sua extensa discograa. Entretanto, ele ainda por aí anda e
recentemente lançou um disco de Natal.
Mais do que música, o Country representa também culturas e a sua evolução
temporal, e isso é que é, a meu ver, um dos principais legados da dita música do
mundo, e fugindo às armadilhas desse rótulo, esta é a música que representa toda
a diversidade cultural humana.
Desta forma me despeço, com votos de um bom Natal e de um bom ano de
2010 para todos.
Por Filipe Martins, convidado que escreve aqui
ULTIMAMENTE, com amigos(as) tem surgido à conversa o tema “suicídio”.
NA sua opinião, o suicídio é algo lamentável; é uma acção egoísta e só mostra egocentrismo, isto é, na tentativa furtiva de encontrar um escape para a dor (psicológica principalmente), vai-se provocar dor a todos os que nos rodeiam e que gostam de nós.
ACHO que esta opinião sim é lamentável, pois é a opinião de toda a gente, é uma opinião globalizada, é uma opinião moral e eticamente correcta!
COM isto não estou a querer dizer que concordo com o suicídio ou algo parecido…
ACHO que é realmente egocentrico uma cto destes, mas não nos ensino a sociedade que só connosco podemos contar, que devemos seguir a nossa vida sem nos importarmos com o caminho que outros tomam (a não ser que nos aecte directamente)?!
QUEM nunca pensou que não merecia/queria viver? Acho que todos nós já pensámos isso pelo menos uma vez na vida!
NÃO concordo quem critica sem ter a rwal versão dos factos. De qualquer das maneiras, para uma pessoa acabar com a sua própria vida motivos não devem faltar, e só essa pessoa sabe a real versão dos factos.
CLARO que há pessoas que têm tendência para serem mais depressivas que outras… sinceramente só o é quem “quer”!
A depressão é uma “doença” nova, que afecta miudos e graúdos, que provém de uma deseducação da alma e personalidade.
SIM, já tive períodos menos bons! Sim, já pensei em suicídio, mais do que uma vez até! Mas sempre tive a “claridade” para encontrar uma solução, para ver ver o lado positivo (que muitas vezes não
havia) da situação.
HÁ-que aprender a rir para a vida, pela vida e com a vida!
SE esta sociedade não fosse já por si tão mimada, estas psicoses globais hipocondreacas seriam em menor número concerteza. Mas pronto, depressão é a doença da moda, e torna-se difícil contrariar a tendência!
APRENDEMOS desde novos a ser materialistas e a pensar como a generalidade da sociedade, para nelas nos podermos inserir. Acabamos por nunca pensar pela nossa cabeça, pois são nos dirigidas regras que acatamos quase automaticamente; acatamo-la e tomamo-la como certa eticamente.
ESTAS questões de educação infantil acabam por nos comprometer já em adultos. Não desenvolvemos as capacidades que deveriamos ter desenvolvido; o livre-arbítrio que nos foi atribuído e que é uma das principais características da nossa personalidade, é totalmente corrompido, porque embora pensemos que estamos a pensar por nós mesmos, estamos a seguir uma linha de pensamento globalizada e controladora, que usa o simples “truque” de nos meter uma ideia/opinião na cabeça e fazer com que pensemos que fomos nós que a “criámos”.
QUERO com tudo isto explicar que à miníma desilusão na vida, muita gente chora , cai … voilá, fez-se a depressão!
ASSIM, tem-se vindo a assistir ao degredo do livre-arbítrio, e à super deseducação da personalidade… porque quando eu era pequena, se qeria uma coisa fazia por merecê-la: ajudava a minha mãe ou tirava boas notas ou arrumava o quarto… se eu tivesse nascido neste século (até pareço velha), se quisesse alguma coisa, faria uma birra!
Confiança: Belo dia para apanhar um sol fantástico lá fora! Como é bom estar vivo, como é bom respirar, sorrir e ser livre!
(Noutra divisão da casa)
- O sol é só para ti? Vais trocar o sol por mim? Vais passar mais tempo com o sol do que comigo? Respirar?! Respiras mais sem mim?! Sorris?! Tu comigo não sorris tanto! Com quem sorris para além de mim?! Hum?!
Confiança: Já pela manhã, ciúme? Calma, eu chego para todos. Há tempo para tudo, não sejas assim!
Ciúme: Se eu digo estas coisas é porque gosto de ti. Se eu não me preocupasse contigo, não existia!
(a porta abre-se e alguém entra)
- Confiança, metes nojo! E tu aí, oh Ciúme, nem venhas aqui defender ninguém. Tu quando falas demais um dia acabarás por matá-la, meu!
Ciúme: Não! Eu estou aqui com ela e se estou é porque a amo. É porque me preocupo com ela!
- Ai sim?! E os teus familiares?! Que destruíram já casamentos, que só fazem porcaria nas relações?! Tu não…
(A voz é interrompida por outra nova)
- Cala-te Pessimismo. Aqui quem é versátil sou eu. Aqui quem decide o que fazer a vocês três sou eu, ninguém mais.
Confiança: Amor! Até que enfim! Onde estavas?!
Amor: Fui buscar os pilares que faltam para construir esta casa…
Ciúme: Pilares?! E eu?! Porque não me contaste nada?! Porque me omitiste os pilares?! Porque…
Pessimismo: Lá estás tu! Sempre a matraca de língua bem afiadinha…
Confiança: E tu que não fosses grosseiro… Vamos todos sorrir…
Amor: Calem-se todos!
(Ouve-se a campainha a tocar, Confiança, Pessimismo e Ciúme em uníssono)
- Quem é?!
(Amor abre a porta e traz a visita ao restante grupo)
Amor: Amigos, apresento-vos a Dra. Sensatez. Com ela os nossos problemas ficam todos resolvidos.
Sensatez: Bons dias. O Amor já me falou de todos vocês. O que tenho a dizer a todos é o seguinte: Tomei a liberdade de providenciar duas enfermeiras para viverem convosco permanentemente…
(Entram duas senhoras com um ar muito invulgar e harmonioso)
- Saudações! O meu nome é Equilíbrio.
- …E o meu, Respeito.
Pessimismo: Mas isto já não é muita gente a meter o bedelho?!
Ciúme: Ah! Aviso já que quero o Amor e a Confiança só para mim.
Pessimismo: Está calada! Tu adoras-me!
Sensatez: Ora e por último, eu também ficarei com vocês doravante!
Confiança: Mas que bom! Tanta gente para me alegrar e fazer o meu espírito mais voador e limpo…
Pessimismo: Que seca, Confiança. Não te enforques não…
Ciúme: Ah! Estás-me a tirar direitos de autor, Pessimismo!
(Amor dá um beijo e abraço fortes a cada um e todos se acalmam, como que por magia)
Equilíbrio: Tudo em exagero é mau. Mesmo o positivo. Estou aqui para vos fazer ver isso mesmo.
Respeito: E não basta seres tu a sobressair, Amor! Sozinho também não és nada. Há que saber conviver contigo, gostando de tudo o que tens de menos bom também. É assim que te chamas. É assim que deves falar connosco.
Amor: Tens razão.
(Todos trocam olhares felizes, depois marotos sorriem e têm uma orgia incomensurável, mas só durante duas horas)
Fim
Hoje, como noutro dia qualquer, pessoas nascem, outras falecem. Hoje, como noutro dia qualquer faz também anos que alguém nasceu ou morreu. Fora estes dados comuns de qualquer dia do ano, hoje é também assinalado o Dia Internacional das pessoas com deficiência. Foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) a 1998 com o propósito de enaltecer a protecção dos direitos, dignidade, benefícios de integridade e bem estar a toda e qualquer pessoa portadora de deficiência.
Felizmente a cada dia que passa são criadas novas medidas que mobilizem de melhor forma uma vida melhor para pessoas com deficiências, recentemente sabe-se que agora as pessoas cegas já podem escolher a cor da roupa e acessórios que desejam comprar, através da leitura em Braile. Agrada-me ver nas grandes superfícies comerciais a existência de rampas e elevadores para pessoas de mobilidade reduzida, assim como felicito-me em saber que os aparelhos auditivos estão cada vez mais desenvolvidos. No entanto há coisas que também me preocupam, o preconceito da palavra “deficiente”. Infelizmente, desde que nascemos até nos formarmos como adultos, da infância, adolescência até à velhice, descriminação e crueldade são conceitos muito presentes na sociedade humana. Quando alguém vê uma pessoa especial, portadora seja de que deficiência for, há muito o afastamento dela, a exclusão de alguém somente pela aparência e isso não é nada positivo, isto está, por exemplo, muito latente na falta de empregabilidade para estas pessoas. Lembrem-se que de hoje para amanhã a vossa vida pode pura e simplesmente girar 180º e o vosso vida tornar-se-ia muito difícil, ainda mais se formos enxovalhados pelos outros. Somos todos Seres Humanos, Digam “Não” à discriminação e um alto “Sim” à igualdade entre todos.
Quinze de Dezembro de dois mil e nove, uma noite fria como é habitual do mês.
- … Muito caras as bebidas ali, não são?
- Mesmo. Isto sair à noite está a ficar só para a malta rica, Nós somos de posses, mas não nos roubem se faz favor. – Disse Guilherme a Edmundo – Bem, Aníbal, onde puseste mesmo o carro? – Calado o terceiro guiou-os e lá seguiram caminho.
De fora dos vidros da viatura apenas se via nevoeiro cerrado e uma chuva torrencial tremenda, a distância das habitações de ambos era considerável até aos bares e a condução de Aníbal era um quanto ou tanto lenta… – Pára o carro! Pára! Olha ali à frente, um rapaz estendido na borda da estrada! Pára! – Gritava de pânico Edmundo, ao ver ao longe um vulto estendido no chão, ao lado de uma mota meio deslocada.
- Estás parvo? Tenho sono, Estamos no meio do nada…
- Pára! Se fosse contigo não gostavas! – E lá pararam. O vulto agora de perto já não parecia tão humano quanto isso…
Vinte de Dezembro. Edmundo abre os olhos, depara-se no internamento do Hospital público da cidade.
- Como estás, Ed’? – Perguntava uma voz feminina.
- Estou… O quê?! As minhas pernas?! Onde estão?! Onde estou?! Que lugar é este?!
A voz cujo rosto ele nem chegou a ver, pois a preocupação com o seu corpo era maior, chamou de pronto uma enfermeira e mais não voltou. Foi-lhe contado que fora descoberto ao lado de uma mota, com perda de memória e hemorragias graves em todo o corpo, pelo que tiveram que lhe ser amputadas ambos os membros posteriores. O choque era tremendo, de nada se recordava, estava sem memória, durante dias seguidos apenas sonhava ter visto de fora de um carro, um vulto ferido, que afinal era o seu. Tempos passaram até que voltou para casa, acompanhado pela namorada.
Dezoito de Julho. Edmundo acorda e vê em cima da mesa-de-cabeceira do seu quarto ao lado da sua caneca de leite bege, uma carta vermelha sem remetente. Chegou hoje para ti – Disse a sua companheira. Sozinho abriu-a:
“ Como estás, Ed’?
Amigos que não o eram realmente, a troco de dinheiro meu, uma boa dose de drogas fortes e uma tortura a sangue frio. É o que pensas nos pesadelos que tiveste estes dias. Sabia quando saías do bar, tinha tudo planeado minuciosamente, a mota, o mono para te apavorar pois sei que te preocupas muito com os outros, o teu amigo mais calado no banco detrás que sempre foi o mais reticente em colaborar comigo, por isso teve que ser eliminado. Não preciso destas histórias, afinal estás amnésico, mas deve ser triste, a ultima coisa de que te lembras ser algo de que não estás certo. Porque te fiz isto? Da mesma maneira que como veterinário que eras, cortavas as caudas aos cães, sem piedade, assim o fiz eu. Porque me apeteceu, ou não. Não tem que haver um motivo para tudo, ou sim. Felizmente ou Infelizmente a nossa espécie é mesmo assim, imprevisivelmente idiota, como tu. Vê-me como um Deus, não é o que cada Homem quer ser para os outros e para si mesmo? Daqui a algum tempo vais morrer, sim, envenenadíssimo com leitinho, por isso respira bem fundo os teus últimos oxigénios. A propósito, não sabes o meu nome não é? Para ti, é usurpadora de escrúpulos.”
- Lana! Diz-me que não és… És tu? Lana…
- O quê?! De que estás a falar? Edmund?! – Respondera-lhe ela. – Abraça-me, abraça-me bem! – Edmundo balbuciava, suado, nervoso, abraçado à sua namorada, na cama de ambos, a quinze de Dezembro de dois mil e nove – Abraça-me bem Lana! Nunca mais irei perder a paciência contigo, nunca mais. Nunca mais te farei chamares-me “Sem escrúpulos”. Perdoa-me a cegueira no trabalho amor. Amo-te, abraça-me.
Ela assim o fez, murmurando em tons de brincadeira que nunca o tinha visto gritar tanto enquanto dormia e que ver o acidente pelo caminho antes de ele chegar a casa lhe havia feito mal. – Também te amo, meu escrupuloso querido.

